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domingo, 22 de agosto de 2010

AS 5 VIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS ULTRAPASSADAS E REFUTADAS



Pelo fato de vivermos numa sociedade que se julga ultra moderna, onde teses propostas há muitos séculos atrás são contestadas arduamente, nada como, após um estudo das cinco vias da existência de Deus, tentar colocá-la mais próxima da realidade atual, numa comparação com o existencialismo de filósofos contemporâneos, sociólogos e teólogos. As cinco vias da existência de Deus, criada por Santo Tomás de Aquino no século XIII, atendia as necessidades do cristianismo, um meio de aumentar o domínio da mesma nesse período, e que apesar dessas idéias tão ultrapassadas no período vigente a uma luta incessante para manter tal tradicionalismo.Se analisarmos o livro Gênese, do Antigo Testamento, notaremos explicitamente que as idéias de Aquino, vieram apenas pra reforçar aquilo que as escrituras “sagradas” já diziam, apesar de muitos dizerem que Aquino se baseou em pensamentos aristotélicos, que cristianizando esses pensamentos.Os pensamentos de Aristóteles são notórios em sua obra, com certeza, mas não podemos nos esquecer que toda a razão vinha justamente para justificar a fé. A fé era sempre posta em primeiro lugar, havia fé sem razão, mas razão sem fé era inaceitável.Com o passar do tempo as vias tomistas foram quebradas, a ciência conseguiu provas mais concretas a respeito da criação do mundo e dos homens, como por exemplo, o Big Bang e a Lei da Evolução, o que as igrejas ditas como cristã condenam arduamente.Mas vamos voltar às vias tomistas e situá-las no mundo contemporâneo, como foi a proposta desse texto complementar.O dogma Deus criado no período medieval, na maior parte das vezes é quebrado pela onda ateísta presente nos dias de hoje, da mesma maneira que a razão um dia foi usada para justificar a fé e a existência do Deus superior, hoje a razão justifica a não existência desse Deus, movida justamente pela falta da fé.Segundo Aquino, o mundo e tudo que nele existe foi criado por Deus, a racionalidade humana é obra de Deus, que reúne essência e existência, detendo toda a sabedoria, criando tudo a sua imagem e semelhança, portanto tudo que foi criado por esse Deus é belo, como explica bem o livro de Gênese.Guerras? Fome? Violência? Discriminação? Abuso de poder? Diferença social? Tudo isso então é obra do todo poderoso, senhor do céu e da terra? Tudo isso é obra de Deus?Escrita após a definição do livre-arbítrio, dada por Santo Agostinho, as cinco vias coloca os acontecimentos dos dias atuais como algo da liberdade humana dada por Deus, que essa liberdade é a principal fonte do caos que vivemos atualmente, motivo de todo o pecado existente na terra. Mas porque muitas vezes religiosos insistem na famosa frase feita “se Deus quiser” ou se não “isso foi da vontade de Deus”? A religião tem bases infundadas com tamanha contradição?Bertrand Russel em seu livro “História da Filosofia Ocidental” nos passa uma idéia de como na visão tomista são as leis de Deus, leis essa que notamos que a religião cristã impõe: “A lei divina nos ordena amar a Deus, bem como, em menor grau, ao nosso próximo, proíbe a fornicação, porque o pai tem que permanecer com a mãe enquanto o filho está sendo criado. Proíbe a limitação dos filhos, por ser contra a natureza; contudo, não proíbe pela mesma razão, o celibato perpétuo. O matrimônio devia ser indissolúvel, porque o pai é necessário á educação dos filhos, por ser mais racional que a mãe e possuir mais força física quando é necessário castigar. Nem todas as relações carnais são pecaminosas, já que é uma coisa natural; mas considerar o estado de casado tão bom como a continência é cair na heresia de Joviano. Deve haver rigorosa monogamia, a poligamia é injusto quanto às mulheres, e a políandria torna a paternidade incerta. O incesto deve ser proibido, pois complicaria a vida da família. Contra o incesto entre irmão e irmã, há um argumento muito curioso: se o amor de marido e mulher estivesse combinado com o de irmão e irmã, a atração seria tão forte que tornaria as relações íntimas indevidamente freqüentes.”(Russel, p. 175)Essas idéias acima também são totalmente ultrapassadas, podemos notar explicitamente nos dias atuais que é uma forte pregação do machismo que o cristianismo impôs, tentando trazer para o século vigente a idéia da mulher medieval. Sem contar que a idéia de educação dos filhos se encontra totalmente fora dos padrões atuais, quando se fala em uso de força física como meio de educar. Violência doméstica? Com certeza, sim.A resposta dada pelo budismo no que diz respeito à condição que o mundo se encontra talvez seja a mais plausível, a mais coerente, já que para o budismo o homem “colhe o que plantou”, ou seja, no ciclo na reencarnação, que o budismo tanto defende um homem bom que “planta bons frutos” em uma vida, com certeza os colherá numa vida posterior. Então poderemos pensar: Há quantas gerações que o homem não planta esses bons frutos?No mundo atual temos uma corrente que surgiu dentro da Igreja Católica Apostólica Romana, chamada Teologia da Libertação, um dos seus principais defensores, o teólogo Leonardo Boff, frei destituído pela igreja devido a sua ideologia, prega que Deus evoluiu juntamente com a evolução humana, os costumes do ser humano conseqüentemente evoluíram junto com a evolução de Deus, e Deus evoluiu com esses costumes, como num ciclo infinito. A oposição da igreja a essa teologia é devido à liberdade que ela da aos fiéis, não mantendo o tradicionalismo medieval que ela tanto preza, tradicionalismo esse que os afastam.Com bases marxistas, a Teologia da Libertação não vê a igreja para ela mesma, mas sim para a humanidade em geral, vê a igreja como forte aliada do homem, e se caso a instituição não consiga atender as necessidades dessa sociedade calejada pela fome, pela guerra, pela violência e afins, com certeza não pode se considerar herdeira de Jesus Cristo, considerado o filho de Deus enviado pelo mesmo para salvar a raça humana. Jesus viveu em situações precárias, que se colocado nos dias atuais faria parte da grande parcela da população mundial que vive abaixo do nível de pobreza, o filho do supremo poderoso e sábio seria discriminado e esfomeado, rejeitado pela igreja que condena um meio de se chegar a uma vida mais igualitária. Essa corrente que surgiu dentro da igreja é totalmente contra ao regime autoritário que existe dentro dela, inclusive o Opus Dei.Então qual a finalidade de manter essa hierarquia proposta por Aquino? Hierarquia essa que esta dentro da própria instituição religiosa, que hoje vive encoberta por um falso moralismo e um abuso de poder, que foi construído nos dez séculos da Idade Média e tenta se manter aos trancos nos dias atuais.O homem se vê a cada dia mais distante de Deus que é colocado num patamar muito elevado, o homem se vê inferiorizado pela religião, descrendo de tudo que Tomás de Aquino formulou.O marxismo é ateísta e sempre opôs a hierarquia proposta no período medieval, principalmente a via tomista da perfeição, que prega essa hierarquia. Karl Marx também é defensor do materialismo, e atribui a ele todas as mudanças que ocorrem no mundo, seja no homem ou na natureza.Já que estamos falando do nosso mundo contemporâneo, não podemos nos esquecer do existencialismo, corrente filosófica nascida em nosso período e que tem forte inclinação para o ateísmo. Os principais filósofos existencialistas são Kierkegaard, Schopenhauer e Nietzsche. Eles se opuseram fortemente muitas vezes direta e outras indiretamente à existência de Deus, idéia tão defendida na Idade Média por Tomás de Aquino.Kierkegaard condena muito a imposição cristã de que Deus é pai de toda a humanidade, humanidade essa que é tão torturada pela idéia do pecado, e conseqüentemente colocada em um nível bem inferior a esse Deus, vivendo assim num abismo de desespero de até mesmo negar o seu próprio eu. Ele tentou desvincular a idéia de Deus da religião, porém, não obteve êxito.Já Schopenhauer, dono de uma filosofia romântica, com idéias baseadas no budismo, condena a possibilidade do criador não ter feito um mundo melhor, já que esse foi criado a sua imagem e semelhança. Para ele, o que encontramos no mundo é uma imensa imperfeição, que o homem é filho de um pai desleixado, pouco atencioso e que ao chegar ao mundo já estava carregado de pecado, espalhando assim como uma praga.Portanto, quem deu o pecado ao homem foi Deus, como uma regra, regra essa aplicável apenas ao ser humano, seu filho e não a si próprio. Então não seria o homem a imagem de Deus, mas sim um ser muito inferior, um objeto mantenedor da hierarquia divina.Schopenhauer refutou, indiretamente, a via da perfeição e a via da finalidade, pois se o homem for a imagem de Deus, esse não se encontra na inteira perfeição e se Deus guia o homem, como o comandante guia o seu navio, estaria Deus guiando o homem para o caminho errado, caminho cheio de sofrimento, assim como quando um comandante se encontra num navio sem bússola, e o guia para um rota ao esmo.Nietzsche, considerado por muitos racionalistas como um louco, contribuiu para a filosofia existencialista e ateísta, refutando implicitamente as idéias de Aquino. Ao falar do pecado, que é algo que atormenta o homem temente a Deus, ele passa a idéia de que apenas somos perdoados quando ocorre o arrependimento perante a imagem de Deus, se escravizando, e isso isola totalmente o homem de Deus. Mais uma vez a via da perfeição é colocada em pauta, a supremacia divina castiga o homem, que numa realidade dolorosa busca incessantemente uma perfeição através de uma vida sem pecados, o que é praticamente impossível.Em seu livro o “Anticristo”, Nietzsche afirma que o cristianismo carrega dentro de si valores morais que guiaram o homem durante mais de dois mil anos e que ainda hoje guiam. Esses valores operam na forma de pensar e de agir das pessoas determinando, por fim, o seu comportamento, seus costumes, a educação etc. O autor afirma que sentimentos morais como a compaixão, vingança, remorso e culpa são extremamente prejudiciais ao homem; podando a sua livre existência na terra. Segundo ele, Deus então seria então uma ferramenta para manter a moral carregada por uma igreja, que como muitas vezes citada aqui busca manter valores de uma sociedade medieval. Notamos assim que as idéias de Aquino demonstradas nas cinco vias são contestadas demasiadamente, diretamente ou indiretamente, como bem notamos nesse texto. As religiões cristãs tendem a manter esse tradicionalismo medieval, que a cada dia é condenado pela sociedade, caminhando assim para um fim que com certeza não é a fé em Deus, aquele Deus supremo, criador do céu, criador da terra, criador da vida humana e animal, criador de toda a natureza. Aquele Deus supremo pai de toda a perfeição e sabedoria, que conduz o homem.As cinco vias, parte do livro Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, com certeza é a escrita mais importante do mesmo e te vê extrema relevância no período medieval, porém se encontra ultrapassada na sociedade contemporânea, onde uma ciência materialista e um forte ateísmo levam a refutação e a falta de fé. Atualmente as cinco vias não passam de bases para sermões de cultos e missas de igrejas cristãs, sendo quase que impossível ter um Deus próprio, desgarrado da instituição religiosa o ser humano acaba se desvinculando do mesmo.Perante todos esses pensamentos a respeito de Deus, podemos parar e pensar: Seria Deus realmente um ser superior?Deus realmente existe?Deus é um dogma criado pelo homem?Essas são as perguntas básicas que refletimos durante o nosso dia-a-dia, e certamente muitas outras especulações surgirão em torno desse grande mistério que envolve Deus. Para o momento em que nos encontramos uma pequena e famosa frase de Martin Lutero, poderá se não responder, fazer nascer uma nova pergunta: “O próprio Deus não poderia existir sem o homem sábio.”, Nietzsche para rebater essa frase de Lutero deixou: “Deus ainda menos poderia existir sem os insensatos [...]”. (Nietzsche, p.118).Com certeza, vale a pena refletir.
Referências Bibliográficas
- BERTRAND, Russel. História da Filosofia Medieval, livro II. 3 ed. São Paulo: Cia. Editora Nacional, 1969.
- LAKATOS, Maria Eva. MARCONI, Maria de Andrade. Metodologia Científica. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1983.
- LAKATOS, Maria Eva. MARCONI, Maria de Andrade. Técnicas de Pesquisa. 1 ed. São Paulo: Atlas, 1982.- AQUINO, Santo Tomás. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
- MARX, Karl. Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1979.
- KIERKEGAARD, Soren. O Desespero Humano. São Paulo: Editora Martin Claret, 2003.
- SCHOPENHAUER, Arthur. Da morte/ Metafísica do Amor/ Do Sofrimento do Mundo. São Paulo: Editora Martin Claret, 2004.
- NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência. São Paulo: Editora Martin Claret, 2005.
- NIETZSCHE, Friedrich. O Anticristo. São Paulo: Editora Martin Claret, 2000.
- AGOSTINHO, Santo. Confissões. São Paulo: Editora Martin Claret, 2006.
- BÍBLIA. A Bíblia Sagrada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 1969.

2 comentários:

  1. Olá, estes links estam desativados, o antigo blog foi deletado, mas esses trabalhos encontrão-se em novo endereço.
    http://pandorabyron.blogspot.com/

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